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Orvalho: turismo geológico e de montanha; férias primaveris ou outonais; reforma activa e saudável; e tudo num só lugar

Quinta-feira, 18.10.18

 

 

Visualizem montanhas esverdeadas atravessadas por rochedos claros e imponentes, como uma enorme coluna vertebral. Estamos no Orvalho.

Num desnível rochoso nasce a fraga da Água d'Alta, uma cascata saltitante. Este sítio geológico é visitado por muitos turistas que gostam de caminhadas na montanha.

O ar é limpo e fresco. Passando o monte da Nª Senhora da Confiança, temos o Mosqueiro com o seu miradouro e local de festas.

 

No vale em frente ao Mosqueiro, os Vales de Janeiro, um declive suave entre a estrada e a poética Rua dos Amores. Este terreno está a convidar quem gosta de montanha para lá construir a sua casa de férias (dá para 4 lotes), que pode ser alugada nas restantes semanas. 

O Orvalho é perfeito na Primavera e no Outono, e também no Verão, se for perto de uma piscina :)

Muitos casais já reformados optam por viver no campo, agrada-lhes o sossego e a possibilidade de caminhadas na companhia dos cães.

Finalmente, também se pode visualizar ali um pequeno empreendimento turístico, com piscinas, courts de ténis e campo de jogos.

 

Sim, perceberam bem, o terreno está à venda. Este é o meu primeiro ensaio de marketing imobiliário :) Que também é marketing turístico (turismo geológico e de montanha).

O melhor  marketing é o de quem passou férias nesse lugar, percorreu esse lugar, e em diferentes períodos do ano.

 

Estando rumo ao sul, não posso acalentar o sonho de ali ver um pequeno empreendimento turístico, a minha escolha, com uma piscina para adultos e uma piscina para crianças. De um dos lados dois courts de ténis e um campo de jogos polivalente: volley e basket.

Gostava de ver aquele lugar habitado, seja por turistas seja por casais e famílias. Casinhas brancas, como são as de Orvalho. 

 

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 13:55

O "amor romântico" e a fase da adolescência, a fase menos inteligente das nossas vidas :)

Domingo, 02.09.18

 

 

Hoje de manhã acompanhei o programa "O Amor é" onde se falou no "amor romântico" e em "românticos incuráveis" :)

Com a idade aprendi a ver o amor para além de todos os romantismos e ciúmes. Como uma espécie de afinidade e cumplicidade luminosa e primordial. E ao aprender a ver assim o amor, percebi que essa visão do amor me era já familiar.

O problema que nos acontece na vida é a adolescência, essa fase de transformação que nos torna "românticos" :) Até aí somos praticamente controlados pela razão. O que nos motiva é a descoberta do mundo e das pessoas, mas não nos fixamos numa particularmente e de forma obsessiva :)

Este descontrole só passa com a idade e a experiência. Em vez de idealizarmos o outro, vêmo-lo como ele é. E o que ele é, é muito melhor do que a nossa idealização ("romantismo"). A fantasia dá lugar à verdade.

 

O amor e a verdade é muito mais forte do que o amor que necessita de fantasiar. Nunca se apaga, mantém a claridade e o calor.

Em vez de ciúme (outro tema abordado no programa), quem ama fica apenas triste, por respeitar o outro. Ninguém tem o direito de limitar alguém, de o travar no seu percurso, de o diminuir. Pelo menos, no amor como o vejo hoje, e como, muito provavelmente, terei visto antes de me passar por cima a fase adolescente, isto é, a fase menos inteligente das nossas vidas :)

A tristeza de ver alguém partir mistura-se estranhamente com a esperança de ambos sermos felizes à nossa maneira. Pode parecer demasiado frio e distante, mas é a melhor forma de amar.

 

E um dia "fazemos o ninho" noutro lugar, talvez noutra latitude, talvez de uma forma totalmente nova para nós.

Na verdade, a nossa felicidade e bem-estar não devem depender da companhia do outro, mas da confiança de viver de forma consciente e equilibrada.

 

E é por tudo isto que nunca conseguirei escrever um best-seller sobre o amor :)  

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 11:08

Missão na Terra: proteger a vida e aprender o amor incondicional

Segunda-feira, 09.07.18

 

Aprendi muito cedo a proteger a vida, todas as espécies, e a amar incondicionalmente. Entretanto, quando saí desse mundo protegido, a família, a casa, o jardim, os avós, os tios, os primos, as outras famílias em redor, a escola, os livros nas estantes, a música... o impacto foi equivalente a sair da simplicidade do céu para a confusão do inferno.

É certo que consideramos o colégio interno como meio protegido, e é, mas não nos prepara para o essencial. Aprendi a viver no meu mundo, numa espécie de realidade virtual. A timidez foi adquirida, não era minha. A desconfiança foi adquirida, não era minha. Só o medo era meu.

Hoje teria batido o pé à minha mãe e teria ficado em casa a frequentar a telescola, onde se aprendia mais e melhor do que no colégio. Dois anos de bónus dessa simplicidade inteligente que perdi por cobardia.

 

É essencial preparar as crianças ao seu próprio ritmo, umas são rápidas e ágeis, adaptam-se com facilidade, são flexíveis, rodeiam os obstáculos. A minha agilidade era a fugir, e especializei-me nisso.

Isto para dizer que a família que tive a sorte de conhecer na infância, os que me ouviram e conversaram realmente comigo, o pai, a avó materna, o avô e as tias paternas, as primas, e as amigas Bébé, Gabriela e Guida, ficou longe nesses dois anos perdidos.

Estejam atentos às decisões que podem marcar uma vida. Não se precipitem, olhem, ouçam, sintam com todos os sentidos, antes de dar o passo que pode alterar e desorientar a vossa bússula inicial.

A minha bússula estava orientada para a família, a simplicidade, o jardim, os livros, a música, a vida, o amor incondicional. A partir desse impacto precoce com o outro lado, o materialismo, as divisões, a competição, os conflitos, refugiei-me nesse mundo paralelo, nessa realidade virtual.

Fui recuperando a pouco e pouco a minha alma original, retirando as camadas que a foram comprimindo, a timidez, a desconfiança, até reencontrar o essencial: a vida e o amor incondicional.

 

Deixei de fugir, à procura desse céu para sempre perdido. O céu passou a estar sempre comigo, para onde vá. As pessoas que encontro fazem parte desse céu. Todos se dedicam à mesma missão na Terra: proteger a vida e aprender o amor incondicional.

O lugar sonhado é onde estão os que nos amam e os que amamos, e está tudo certo. Em breve será um lugar concreto, onde nos juntamos de novo. A missão agora é essa. As três irmãs trocam territórios, mobília, livros, objectos, roupa especial que se vestiu no casamento ou num baile, memórias felizes que esperam tornar outros felizes, antes da mudança que se quer leve e simples.

A nova casa terá de ser adaptada ao pai, com espaço livre para se movimentar à vontade. Com sorte, terá um terraço e depois, o jardim. E estaremos de novo juntos.

 

 

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 12:39

A importância do geomonumento Água d'Alta no desenvolvimento turístico de Orvalho - Oleiros

Domingo, 06.05.18

 

águad'alta8.jpg

 

A Água d’Alta era uma das propriedades preferidas do meu avô Jaime Dias, onde ia frequentemente fazer piqueniques com a família. 

De referir que Jaime Dias foi um empreendedor inovador do Orvalho nos anos 30 e 40, nos sectores da indústria (lagar hidráulico dos mais modernos, moagem e uma empresa de camionagem) e comércio (mercearia). 

Além disso, muito contribuiu para o desenvolvimento do Orvalho (ex.: estradas de acesso) e apoiou muito a comunidade. 

Morreu num acidente de automóvel em 1949 e os negócios foram decaindo a partir daí. No entanto, as propriedades ficaram, hoje na posse da minha mãe, Maria Alice Dias de Azevedo, como a Água d'Alta.

 

A Cascata das Fragas da Água d’Alta (Oleiros) é um geomonumento que faz parte de um geopark, neste caso a Geopark Naturtejo que, por sua vez, faz parte do European Geoparks Network e tem o apoio da UNESCO.

 

A Junta de Freguesia do Orvalho construiu os passadiços, que infelizmente arderam em Agosto último, mas não teve a delicadeza de informar a minha mãe da sua inauguração. Em vez disso, pressionou-a para vender a propriedade por um valor ínfimo.

 

O valor de uma propriedade não é apenas definido pela sua área, mas também e sobretudo, pela sua localização e, no caso da Água d'Alta, pela sua importância estratégica na região.

A propriedade da Água d’Alta, com os seus cerca de 4 hectares, é actualmente o ex libris da região e o maior impulsionador do seu desenvolvimento turístico (geoturismo e ecoturismo).

 

Esperamos que a Câmara Municipal de Oleiros reconheça que a nossa família não tem sido tratada com equidade relativamente aos outros munícipes de Orvalho (e posso prova-lo com diversos factos e situações), e finalmente apresente à minha mãe uma proposta justa e proporcional ao valor real da propriedade da Água d’Alta.

 

 

Este post foi publicado n' A Vida na Terra.

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 22:24

Perspectiva de preparação do futuro e investimento inteligente

Segunda-feira, 15.01.18

 

 

Vivemos numa época de transição, e isto também se aplica ao sistema político. Com as actuais tecnologias científicas já não se justifica tantos obstáculos à optimização dos recursos colectivos. E neste momento o sistema político é mais obstáculo do que facilitador.

Os cidadãos não estarão disponíveis para continuar a pedalar em seco para alimentar um Estado lento, pesado e burocrático e uma subserviência a Bruxelas.

Continuarmos a ver o futuro ensombrado pela incapacidade de previsão dos actuais protagonistas políticos não é muito inspirador. Assim como a cultura que representam.

Vê-los juntos ou em alternância, também não me parece entusiasmante. Ambos partilham a prioridade "agradar a Bruxelas", ambos gostam de controlar tudo, ambos agirão com pouca transparência, a teimosia é um traço comum assim como a arrogância, um não é responsável pelas falhas o outro nunca perde eleições (= como um ex-PM que nunca se enganava).

 

A única área que correrá melhor é a ordem pública, a segurança, a prevenção. Para não continuar a revelar fragilidades, o governo estará mais atento e alerta. Dificilmente continuaremos a ouvir uma ministra da Justiça afirmar que a PJ identificou mais perfis de incendiários do que o número de incendiários presos, por exemplo. E na prevenção rodoviária, os pontos serão para valer e haverá cassação de cartas.

O apoio às vítimas, os prejuízos, a reconstrução, será outra prioridade. 

Também o SNS será uma área acarinhada a partir de agora. 

Quanto ao desperdício de dinheiro e de recursos no sistema bancário, essa é uma incógnita. No entanto, o fisco estará muito afinado, resta saber se apenas para os que não lhe podem escapar por não terem dimensão e advogados fiscais. E os recibos verdes continuarão a ver-se aflitos para perceber o "complex" em que os meteram. 

O que fica para trás, como sempre, pela cultura de "bloco central"? Exactamente. A educação, os professores, as escolas, as universidades.

 

E se isto for mesmo assim, não estaremos assim tão mal, pois não? 

Estaremos mesmo mal, é o que ouvimos recentemente a Vitor Bento, que nos devíamos estar a preparar para os desafios futuros, para não ficarmos completamente dependentes de fora, sem produzir. O mesmo não será dizer que é tempo da Economia, e não apenas das Finanças?

 

E nessa perspectiva de preparação do futuro, não são a saúde e a educação áreas fundamentais?

Nessa perspectiva de preparação do futuro, em vez de obrigar os contribuintes a enfiar dinheiro no sistema financeiro que não os reconhece como accionistas, um sistema que irá sofrer grandes abalos e mudanças, porque não incentivar o investimento em empresas produtivas, que os reconheceriam como accionistas?

Os montantes absurdos que este governo já enfiou nos bancos falidos deve ser exigido pelos contribuintes em investimento inteligente, a trazer retorno para a próxima geração, pelo menos.

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 16:44

Directas do PSD: para regressar ao futuro (reinventar) é preciso regressar ao passado (clarificar)

Sábado, 06.01.18

 

 

O primeiro debate das Directas do PSD veio confirmar a análise que tinha alinhavado dos perfis dos dois candidatos, e acentuar alguns traços de forma inequívoca.

Também deixou a necessidade de clarificar o que se passou realmente no governo de Santana Lopes. Alguns comentadores, que são jornalistas, não gostaram deste regresso ao passado. Já perceberemos porquê. Mas para regressar ao futuro é preciso regressar ao passado, isto é, para reinventar (mote do discurso presidencial) é preciso clarificar.

Seria absolutamente inadmissível manter o equívoco "trapalhadas", e uma injustiça tentar passar uma esponja sobre o golpe presidencial de 2004. Mas é o que Rui Rio quer, o que o PS quer, o que os jornalistas desse tempo querem, o que até Cavaco quereria, o filósofo José Gil e outras personagens Porquê?

Porque todos, socialistas, os media, o artigo cavaquista, o livro do filósofo, e outras personagens fizeram parte da armadilha socialista.

Acompanhei os jornais da época, sobretudo quando começou a campanha diária contra o governo. Na altura os media tinham uma influência muito maior do que hoje. Não havia nada que reequilibrasse a informação, que clarificasse a agenda dessa informação. Mas hoje isso já não é assim. As redes sociais vieram permitir a troca de informação e opinião entre cidadãos, em tempo real. Compreende-se o desconforto dos políticos relativamente ao papel das redes sociais, veja-se o caso da lei do financiamento dos partidos.

Hoje a preparação da queda de um governo de coligação estável, como aconteceu em 2004, não seria possível. A preparação, também nos media, da personagem socrática, também não seria possível.

Os militantes do PSD mais jovens não acompanharam essa campanha mediática diária anti-governo. O termo "trapalhadas" surgiu no parlamento pela bancada do PS. e a partir daí foi generalizado de forma intencional.

Após o golpe presidencial, inicia-se a preparação mediática da personagem socrática, o determinado, o moderno, o visionário. Seria interessante e clarificador que os jovens militantes do PSD também lessem os jornais dessa fase. É por isso que alguns jornalistas hoje se sentem incomodados em ter participado nessa ficção e na deturpação da realidade política.

 

Quando no debate Rui Rio insiste que houve "trapalhadas", que Sampaio "teve razão só que podia ter esperado mais tempo" (!?), e que Santana "deu a única maioria absoluta ao PS", mantém o primeiro equívoco injusto ("trapalhadas") e acrescenta-lhe mais dois em cima: a legitimidade do golpe presidencial e o benefício de maiorias absolutas do PS.

Aliás, é com uma maioria absoluta que o actual PS anda a sonhar. Rui Rio acha que seria benéfico para o país? A sua crítica ao actual governo PS é tímida, "governa só para o curto-prazo", e passa por cima das cativações e da obsessão pelo défice, que estão na origem das falhas graves do Estado. Estas sim, seriam razões mais do que suficientes para apear este governo. 

 

Bastaram 13 anos para a política mudar mas poucos políticos acompanharam essa mudança. Bastaram 13 anos para a influência dos media tradicionais cair, a confiança nas instituições perder-se, a participação cívica começar a organizar-se.

Por isso vemos tantos políticos queixar-se do "populismo anti-partidos". Clarifiquem-se e reinventem-se.

 

Vale a pena rever o Expresso da Meia Noite de ontem, dia 5, em que se analisou o afastamento dos cidadãos da política e a cada vez menor identificação com os partidos.   

 

Irei apresentar a análise dos perfis dos candidatos na véspera do próximo debate, mas deixo já aqui uma mensagem para os militantes do PSD mais jovens:

Para escolherem o perfil mais adequado a um PM no séc. XXI, considerar estas palavras-chave: antecipação; equilíbrio; interacção; diversidade; complexidade; sustentabilidade; responsabilidade partilhada; participação cívica; cultura comunitária.

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 16:11

2018: o que podemos fazer por nós enquanto cidadãos, comunidades, regiões, país?

Terça-feira, 02.01.18

 

 

Começo por esclarecer que não estou a dizer o que podemos fazer pelo país político, frase primeiro ouvida a Kennedy (what you can do for your country) e posteriormente adoptada por outros políticos :) É a frase que coloca jovens militares em guerras imorais destruindo gerações, é a frase que inspira ao sacrifício pessoal por interesses obscuros, é a frase que desresponsabiliza governos e políticos de fazerem o que deveriam pelos cidadãos. Não sei se era essa a perspectiva de Kennedy que nem foi um Presidente bélico, mas é assim que é interpretada e utilizada pelos políticos. 

A minha sugestão vai precisamente no sentido contrário: tendo nós já verificado (e ando a dizê-lo há 10 anos) que os sucessivos governos desde o governo socrático, passando pelo governo-troika, e este socialista actual, negligenciaram o seu dever e responsabilidade mais básicos, é tempo de tratarmos uns dos outros como cidadãos, comunidades, regiões, país.

A minha sugestão é a da participação cívica. De certo modo, já iniciada como um movimento ainda não organizado. Lembremos o 15 de Setembro, petições várias, encontros nos centros de algumas cidades depois dos incêndios e, mais recentemente, a iniciativa da Associação Tranaparência e Integridade sobre a proposta de lei do financiamento dos partidos.

 

Como cidadãos, podemos reclamar um governo responsável que finalmente coloque os cidadãos, as comunidades, as regiões e o país à frente de interesses oportunistas, de rampa de lançamento para políticos em Bruxelas (Sampaio lançou Barroso, Sócrates lançou Constâncio, Costa lançou Centeno, as nossas stars na Europa :) Barroso, depois da Cimeira das Lajes que anunciou a guerra ilegal do Iraque, e 20 anos à frente da CE, foi terminar a sua carreira no Goldman Sachs. Constâncio, depois de vários anos à frente do Banco de Portugal em que situou o défice de Santana Lopes em 6,83 e falhou clamorosamente na supervisão bancária, foi catapultado para o BCE. Centeno foi premiado com a presidência do Eurogrupo por ter ido além das regras europeias pelo défice e pela dívida, como mais um "bom aluno" de Bruxelas, cativando as vidas de cidadãos, comunidades, regiões e país.

As nossas stars europeias não nos podem animar, entusiasmar ou sequer inspirar. Trata-se de uma vaidade humana que nos ilude, tal como a frase de Kennedy interpretada pelos políticos. A cultura do orgulho nacional é obsoleta, já não move ninguém que goste de si próprio, dos outros e da vida. Porquê?

Porque o orgulho, que incha os políticos e outras pessoas pueris ou imaturas, é apenas o reverso da vergonha. Apelar ao orgulho de si próprio, de outros, de um grupo, de uma equipa, ou de um país, é apenas compensar o sentimento mais destrutivo de todos: a vergonha.

 

Quando conseguimos terminar uma tarefa difícil, ou encestar no basket, ou enfrentar alguém que tinha um ascendente sobre nós, ou tomar uma decisão seguindo a nossa consciência, sentimo-nos bem, felizes, confortados, tranquilos.

Quando alguém de quem gostamos consegue aquilo que deseja, ultrapassar obstáculos, organizar a sua vida de forma autónoma, encontrar a estabilidade afectiva ou ver o seu trabalho reconhecido, sentimo-nos felizes por ele ou com ele.

E o mesmo para pais e filhos, onde ouço muitas vezes a palavra orgulho de ti em vez de felicidade por ou com. Os pais podem não se aperceber, mas seria muito mais saudável dizer a um filho: sinto-me feliz por ti ou sinto-me feliz contigo, do que sinto-me orgulhoso de ti.

 

2018 traz-nos grandes desafios:

- não podendo confiar neste governo em áreas fundamentais como a prevenção, a segurança, a protecção civil, a justiça, a agricultura, o ambiente, o que podemos fazer para prevenir situações de risco, na floresta e nas estradas, em termos ambientais, na utilização da água, etc.?

- mas não esquecer a saúde e o SNS, e a educação, áreas essenciais para os cidadãos.

 

O que nos pode ajudar?

- uma conjuntura política e económica favorável: isto está fora do nosso controle. E é aqui que Centeno no Eurogrupo vai complicar ainda mais as coisas, ao implicar um reforço do papel de "bom aluno", um exemplo para os outros países da zona euro.

- a economia vai ser condicionada de forma ainda mais apertada com Centeno no Eurogrupo e o PS a governar. Também aqui os cidadãos podem ter uma voz organizada de forma a defender o seu espaço-tempo e a resgatar o seu futuro.

- as eleições directas no PSD: a escolha do próximo presidente do PSD pode não parecer fundamental para todos nós, mas é. Trata-se muito provavelmente do próximo PM. Além disso, a AR precisa de um reequilíbrio: o PS inchou de orgulho com o défice, a dívida, os números do crescimento, o rating, as sondagens, e Centeno no Eurogrupo. E já delira com a maioria absoluta. É por isso que é importante ajudar a clarificar o que significa para nós a escolha por um ou por outro dos candidatos. Daqui a 2 dias temos o primeiro debate. Estejamos atentos, pois.

 

Como manter a nossa capacidade de observação e análise, e autonomia de pensamento?

- não nos deixarmos influenciar pelos media, jornalistas, comentadores, comentadores-deputados e políticos em geral. Um dos comentários mais estranhos e perversos que eu já ouvi na minha vida foi, na sequência dos incêndios e das tragédias, e sobre a reacção dos cidadãos em relação ao governo, alguém dizer num canal televisivo que os portugueses são bipolares, isto é, variam entre a euforia e a depressão. A verdade é que a depressão foi a reacção normal face às tragédias. Quem não sentiu uma tristeza e revolta com o que aconteceu é que revela incapacidade de empatia com o sofrimento de outros.

- não nos deixarmos distrair com manobras de diversão. O PS é profissional nessa arte: anúncios espectaculares, sucessos nisto e naquilo, o país está na moda, ou então, as rasteiras a adversários políticos, ou palavras que lhes querem colar (ex: "trapalhadas" no tempo do governo de Santana Lopes), ou armadilhas em que os querem colocar. Sempre que se sentirem acossados ou a perder o pé, vão inventar situações comprometedoras. E todos sabemos como a informação pode ser manipulada e levar a equívocos graves.

 

Estou a preparar uma análise dos perfis dos candidatos à presidência do PSD, só me falta juntar o puzzle. Nos pormenores em que ninguém repara é que está a chave da solução que será melhor para todos nós. Só vou adiantar isto: é verdade que a personalidade os distingue e que essa distinção é mesmo importante. É verdade que há perfis que se adaptam aos desafios do séc. XXI e há perfis que não. É verdade que hoje já não se pode governar sozinho e controlar tudo, mas ter uma equipa coesa, organizada, competente, o que exige uma capacidade de interacção social e de inteligência emocional fora do comum. Além disso, hoje é impensável um governante não estar receptivo à participação cívica. E mais do que estar receptivo, apelar à participação cívica e ajudar a mobilizá-la.

Se assistirem ao primeiro debate tendo esta perspectiva em consideração, verão mais claramente quem escolheriam para potencial próximo PM. 

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 14:39

Reflexões de fim de ano: temos de ser nós, cidadãos, a resgatar o futuro

Domingo, 31.12.17

 

 

Só podemos identificar o que podemos mudar e o que podemos melhorar na nossa vida, fazendo um balanço do ano que passou. A mudança e a melhoria vão depender dessa consciência.

A consciência humana é um universo complexo, tem a ver com o tempo e com as experiências. Mas também tem a ver com a atenção, a observação, a reflexão, a responsabilidade. Qualidades que hoje não são valorizadas :) Hoje o que conta é o que é visível, rápido, superficial e, se possível, tiver impacto.

 

Consciência, tempo e experiências: estou a utilizar consciência na sua dimensão mais ampla, não apenas o estado de alerta, o estado de vigília.

O tempo permite-nos distinguir experiências, a noção de causa e efeito, num determinado espaço. 

As experiências que no início são sensações agradáveis ou desagradáveis, começam a ligar-se às interacções com os mais próximos. A partir de certa altura alargar-se-ão a outros menos próximos. A qualidade dessas interacções pode determinar a nossa perspectiva da vida e do mundo, e o nosso próprio percurso.

 

A certa altura do nosso percurso, e se tivermos sorte, começamos a identificar o que é real (o que tinhamos observado e qualificado) e o que é ficção (o que foi programado culturalmente). E nessa altura que percebemos que chegámos a casa, sabemos quem somos, a nossa essência, nesse espaço-tempo. A nossa consciência ganha consistência e claridade, fazemos as nossas escolhas de forma mais fácil, desenhamos o nosso futuro de forma natural.

Também sentimos que a nossa consciência se expande, o mundo, que sabemos complexo, começa a tornar-se compreensível, embora dolorosamente sofredor. O sofrimento que desejaríamos evitar já não nos deixa paralisados, dá-nos vontade de agir.

 

 

A possibilidade de prevenir situações de perigo e de sofrimento é uma das responsabilidades das lideranças políticas. Mas vemos como são elas próprias a causar instabilidade, violência e sofrimento. Estas lideranças não são apenas irresponsáveis, são o nosso pior inimigo. Digamos que podemos mesmo dizer que a maioria das lideranças políticas, a ocidente, a oriente, a norte e a sul, estão a governar contra as suas próprias populações. É triste, mas é assim. Vemos Trump criar mais instabilidade no médio oriente. Vemos Aung San Suu Kyi revelar o seu retrato Dorian Gray. Vemos o sofrimento na Síria, no Iémen, os refugiados a multiplicar-se num planeta a morrer lentamente. Sabemos que o que fizermos hoje pode determinar a possibilidade de um futuro para as próximas gerações, mas deixamos que estas lideranças políticas, económicas e financeiras destruam esse futuro à nossa frente.

 

Este ano isso ficou visível no nosso país. São dois planos paralelos que nunca se encontram: a ficção (o plano onde vive a maioria dos políticos) e a realidade (onde vive a maioria dos cidadãos). É por isso que eles não sabem lidar com a realidade, nem preveni-la, nem minimizar os danos, nem remediá-los depois. Numa linguagem mais crua, podemos mesmo dizer que privilegiam a ficção porque alimenta a sua vaidade (Eurogrupo ao serviço de Bruxelas, ratings de agências ao serviço da grande finança, sondagens com oportunidades tácticas). Claro que esta escolha (e sempre foi esta a escolha dos governos desde o socrático), faz-se sob falsos pretextos, o fim da austeridade, o equilíbrio social e a redução das desigualdades, criando equívocos com consequências terríveis.

Mas como eles nunca sentem as consequências na pele, não se espere que mudem a sua cultura política. A proposta de lei do financiamento dos partidos tira-nos qualquer réstea de ilusão. Foi assim que escolheram acabar o ano, a tratar da sua caixa registadora :)   

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 13:29

A descodificação cultural da frase: "a vida não anda para trás"

Sábado, 25.11.17

 

  

O Grande Equívoco procurei descodificar a cultura política do actual governo. Não está lá tudo, como por exemplo, a mesma preocupação pueril de brilhar, de se apresentar como um sucesso, a marca do PS já desde o governo socrático.

É que a preparação laboriosa de um projecto ou de uma iniciativa, o da prevenção e segurança, todo esse trabalho que não se vê porque é suposto não se ver, precisamente porque é discreto, isso já não interessa.

Fui, no entanto, um pouco injusta com os partidos que o apoiam na AR. São territoriais, é um facto, têm um eleitorado mais urbano e sindicalizado, é um facto, mas deve-se à sua participação a possibilidade das pessoas e das famílias verem a devolução do que lhes foi retirado.

 

Reparem na resistência do PS a contar os anos de serviço anteriores ao governo-troika. Queriam limpar os anos do governo socrático. Reparem nas frases reveladoras da sua cultura política que não mudou com os acordos de esquerda: A vida não anda para trás... Pôs-se o cronómetro a andar... Não podemos voltar aos adquiridos... 

Pacheco Pereira descodifica esta cultura política na Quadratura do Círculo, como uma mentalização que nos tem sido transmitida desde o governo socrático, e depois no "vivemos acima das nossas possibilidades". Uma certa elite que quer manter o status quo. O que nos coloca numa certa ausência de perspectivas de futuro.

Há uma continuidade na mensagem que atravessa vários governos, porque o empobrecimento geral inicia-se no governo socrático. Por coincidência, Pacheco Pereira já o tinha percebido há 10 anos: "estão a empobrecer-nos".

 

A cultura é a mesma. Como disse Jerónimo: "Se o governo fosse de uma maioria PS e governasse sozinho não haveria estas devoluções." Concordo.

Deve-se, pois, ao BE e ao PCP as tais "preocupações sociais" de que o PS se quer vangloriar. Estivesse o PS a governar sozinho e teríamos de esperar pelo próximo governo. Centeno viria apresentar a contabilidade nas sessões parlamentares enquanto prepara a sua imagem de ministro virtuoso para o Eurogrupo.

Durante o governo anterior, o actual PM dizia que era preciso fazer finca-pé à Europa, não aceitar tudo, mas isso ficou na gaveta.

As cativações do ministro ilusionista não eram para fazer face a nenhum imprevisto que estivesse relacionado com uma emergência humana. Se fossem, as vítimas dos incêndios teriam sido de imediato apoiadas financeiramente, pois há muitas formas de obter esses valores posteriormente, das seguradoras e de outros mecanismos. O que vimos acontecer foi a ajuda mútua das populações, a nossa cultura comunitária.

 

A resistência a um equilíbrio social, querendo baixar o nível das expectativas legítimas porque no privado se ganha ainda pior, revela que a cultura das elites políticas não mudou nada. Em vez de se questionarem sobre a possibilidade de tornar o país economicamente viável para os seus habitantes, não, apenas se preocupam se o país é financeiramente viável para o Eurogrupo, a UE, o BCE, o FMI e as agências de rating.

E a maior parte do nosso patronato, os associados da CIP, em vez de se irem queixar a Bruxelas do OE2018 em relação à subida do salário mínimo, também se deviam questionar se uma empresa que não pode pagar o SM de 600 Euros é uma empresa viável. Na perspectiva de uma economia equilibrada e sustentável, não é. E nesse caso, deveriam sim ir queixar-se do preço insustentável da energia.

 

Exercício útil para as elites políticas, financeiras, administrativas, empresariais, e comentadores televisivos:

 

No dia 1 de Janeiro levantam da continha bancária a quantia de 600 - 66 (Seg. Social) = 534 Euros. Claro que as despesas debitadas pelo banco mensalmente, a vossa almofadinha, estão asseguradas, o que não acontece com a maior parte dos mortais a viver do SM. Os jovens mantêm-se na casa dos pais, por exemplo.

No dia 31 de Janeiro elaborem um pequeno relatório sobre a referida experiência, avaliando a baixa de expectativas numa escala de 1 a 10.

Finalmente, partilhem as vossas ideias, numa pequena exposição intitulada: como sobreviver com 534 Euros por mês quando não se tem uma almofadinha.

 

Este exercício já vos coloca algumas questões importantes sobre o equilíbrio social numa sociedade democrática.

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 12:32

O Ilusionista

Sábado, 18.11.17

 

 

O Ilusionista olhou para a plateia com um sorriso seráfico. Iria surpreendê-los e iludi-los com o seu novo truque, guardado a sete chaves no maior secretismo.

Gostava particularmente do momento da expectativa, as luzes que o isolavam de tudo o resto, tirar a capa, nada na manga e, de repente, aqueles segundos mágicos quando a plateia abria muito os olhos para tentar perceber o que tinha acontecido.

Desta vez a surpresa seria muito maior: iria evaporar uma parte do próprio tempo. O cronómetro iria reiniciar mas com três anos retirados a todos, como se não tivessem existido.

A arte maior, que só ele dominava, residia precisamente nisso: a plateia tinha vivido esse tempo, tinha sido prensada, martelada, machucada, empacotada, tinha mesmo andado para trás alguns degraus da escada. O que importava era o que o cronómetro marcava daqui para a frente.

Sacudiu a melena teimosa, o rosto iluminado a contrastar com o fato escuro, aproximou-se do aparelhómetro e deu-lhe corda. Os números mágicos surgiram num cartão furado: três anos tinham desaparecido, precisamente os piores de todos.

O silêncio pesou na plateia. O Ilusionista preparava-se para a vénia do triunfo, mas os aplausos não vieram. A plateia estaria a tentar perceber o truque? Era impossível, era o seu truque, só seu.

A plateia ergueu-se quase em simultâneo: rostos incrédulos, jovens, velhos, de meia-idade, a tentar digerir a ilusão do cronómetro. Depois quase em simultâneo, como se uma mola os impulsionasse, dirigiram-se ao palco e exigiram ao Ilusionista manhoso que lhes explicasse o truque.

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 12:15








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